Dissertação
Utilitarismo, deontologia kantiana e animais: análise e avaliação críticas
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Autor
Gonçalves, Sara Fernandes
Institución
Resumen
The relation between people and animals has been examined over time, with the exclusion of
animals from our moral concern. Animals are thus exploited daily and used as resources for
human needs: testing, research, clothing, entertainment, hunting, as well as providing useful
by- products to humans. This study aims to analyze and evaluate the status of animals from
a moral point of view and from theories that hold that animals have rights and interests to be
considered. The study begins with considerations of ethics and their universalist character. The
universality of moral judgments means that they apply to all beings in similar circumstances. In
this sense, the theory, especially according to the utilitarian version of Peter Singer, evaluates the
application of the principle of equal consideration for all beings with similar interests, which
includes animals and their feelings. Considering that animals have morally significant interests,
together with the universalist character of Ethics, we cannot ignore the preferences of the animals
in our relationship with them. For Singer, conduct is morally correct if it meets the most impartial
preferences of individuals affected by the action. This leads us to conclude that sentient animals
should be treated as we should treat human beings with similar interests. Using Kantian theory, in
terms of rights, Tom Regan, evaluates that sentient animals are equal to humans, with a complex
mental life, they are subjects-of-a-life, and. As such, like us, they have inherent value. This
obliges us to treat them with respect. A similar theory, elaborated by Gary Francione, attacks the
legal status of animals as mere human property, stating that they are not things but persons,
and as such protection should be assured of their interests, just as we do with human beings.
Regan and Francione thus profess a kind of deontological ethics (based on rights and obligations
as barriers to the pursuit of the collective welfare), and believe strongly that animals have moral
rights just as humans. This is unlike Peter Singer, whose theory is consequentialist in nature
(based on impartial calculations of the overall best consequences for all affected). He believes
that there are no individual moral rights above the general utility. These theories have similar, as
well as opposing, implications when applied. The present research compares the theories and
evaluates the plausibility of putting them into practice. The abolition of the use of animals, one
of the implications of ethical theory promoted by some activists, requires equal consideration of
interests and the fair treatment of all individuals as equals. Two practical aspects that receive
most attention are the ethics of eating meat and the ethics of animal experimentation. Mestre em Filosofia A relação dos homens com os animais vem sendo pautada, ao longo dos tempos, pela exclusão
dos animais da nossa preocupação moral. Dessa forma, animais são explorados diariamente, e
utilizados como recursos à disposição dos seres humanos para alimentação, testes, pesquisa,
vestuário, entretenimento, caça, e fornecendo outros subprodutos úteis aos seres humanos. O
presente trabalho visa analisar e avaliar a situação moral dos animais e as teorias que consideram
que animais possuem interesses e direitos a serem considerados. O estudo é introduzido por
considerações sobre a Ética e seu caráter universalizável. A universalidade dos juízos morais quer
dizer que eles se aplicam a todas as pessoas, e valem em todas as circunstâncias relevantemente
similares. Neste sentido, na teoria utilitarista, em especial na versão preferencialista de Peter
Singer, pauta-se a avaliação na aplicação de um princípio de igual consideração por todos os
seres com interesses semelhantes, o que inclui os animais sencientes. Tendo em vista que tais
animais possuem interesses moralmente significativos, e o caráter universalizável da Ética, nós
não podemos deixar de considerar a satisfação das preferências dos animais, em nossa relação
com eles. Para Singer, uma conduta é correta moralmente se ela atender à maior satisfação
imparcial das preferências dos indivíduos afetados pela ação, e isso nos levaria a concluir que os
animais sencientes devem ser tratados como pensamos que se deve tratar seres humanos com
interesses semelhantes. Já na teoria kantiana, em especial como teoria de direitos em Tom Regan,
avalia-se que os animais sencientes são iguais aos seres humanos quanto a possuírem uma vida
mental complexa: são sujeitos de sua vida, e, como tais, à semelhança de nós, possuem valor
inerente, o que nos obriga a tratá-los com respeito. Uma teoria semelhante, de Gary Francione,
ataca o status legal dos animais como mera propriedade humana, afirmando que eles não são
coisas e sim pessoas, e, como tais, devem ter garantida a proteção de seus interesses, pois é assim
que consideramos os seres humanos. Então, Regan e Francione são adeptos de um tipo de ética
deontológica (baseada em direitos e deveres como barreiras à busca do maior bem-estar agregado),
e acreditam que os animais possuem direitos morais individuais em sentido forte, tais quais
os humanos, ao contrário de Peter Singer, que é adepto de um tipo de teoria consequencialista
(baseada no cálculo das melhores consequências para todos os afetados tomados imparcialmente),
acreditando que não existam direitos morais individuais acima da utilidade. Tais teorias têm
algumas implicações semelhantes, e outras dessemelhantes, quando aplicadas. Faremos uma
análise das teorias estudadas, comparando-as e avaliando a plausibilidade da postura prática
chamada abolicionista, uma das implicações da teoria deontológica, à luz das melhores razões
condizentes com nosso pensar moral, com a igual considerações de interesses, e o tratamento
justo entre indivíduos iguais. Dois aspectos práticos que receberão atenção maior serão a ética
da alimentação e a ética da experimentação animal.