Dissertation
Transplante de fígado no estado do Rio de Janeiro: análise retrospectiva do período 2013-2017
Fecha
2019Registro en:
DINIZ, Victor Senna. Transplante de fígado no estado do Rio de Janeiro: análise retrospectiva do período 2013-2017. 2019. 110 f. Dissertação (Mestrado em Saúde Pública) - Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, 2019.
Autor
Diniz, Victor Senna
Institución
Resumen
O presente estudo teve como objetivo analisar o perfil da demanda, a utilização e os
resultados do Programa de Transplante de Fígado no estado do Rio de Janeiro. Foram
analisados 1.258 prontuários de pacientes adultos inscritos em lista para o transplante de fígado
por doador cadáver, no período de janeiro de 2013 até dezembro de 2017, com observação até
dezembro de 2018. Elegeram-se as variáveis sociodemográficas, clínicas e de logística
captação-transplante. A matriz conceitual de qualidade utilizada baseou-se na abordagem
proposta por Donabedian (1980) e pelo Institute of Medicine (2001). Como método estatístico,
foram utilizadas as análises univariada, bivariada e multivariada (regressão logística e análise
de sobrevida por regressão de Cox). O perfil dos pacientes em lista é composto em sua maioria
por homens brancos, de meia-idade, moradores da capital, com hepatopatia moderada a grave
de causa viral, que se correlacionam com o acesso à lista de espera. Entre aqueles pacientes que
estão em lista, o sexo masculino, a gravidade da doença hepática, o tipo sanguíneo ABO, o
centro de transplante vinculado e a presença de hepatocarcinoma ou hemodiálise influenciam a
chance de obtenção do fígado para transplante. Entre os pacientes submetidos ao transplante de
fígado, o Meld médio encontrado foi de 24,4 com tempo de isquemia fria média de 6,9 horas
nos transplantes, cuja sobrevida após 1 ano foi de 78,6% no período analisado. Entre os fatores
preditivos de maior mortalidade após o transplante, destacam-se idade >65 anos, Meld >30,
hemodiálise, isquemia fria >8 horas e cor de pele não branca. Observou-se que quanto maior o
volume de transplantes melhor o desempenho do programa ao longo do tempo, reduzindo taxas
de perda do enxerto e de mortalidade, mesmo quando ajustado por gravidade clínica do
paciente. Observou-se um aumento da proporção de pagamento privado no transplante de
fígado no estado do Rio de janeiro, sem apresentar diferenças de fontes de pagamento nos
desfechos analisados. Conclui-se que variáveis clínicas, sociodemográficas, de logística de
captação-transplante e centro transplantador influenciaram o acesso, a adequação do cuidado e
os resultados do transplante de fígado.