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Beneficiários ou reféns? O patrimonialismo na perspectiva dos cidadãos de Poço Fundo, Minas Gerais
Beneficiaries or hostages? Patrimonialism in the perspective of the citizens of Poço Fundo, Minas Gerais state
Registro en:
OLIVEIRA, R. F. de; OLIVEIRA, V. C. da S. e; SANTOS, A. C. dos. Beneficiários ou reféns? O patrimonialismo na perspectiva dos cidadãos de Poço Fundo, Minas Gerais. Cadernos EBAPE.BR, Rio de Janeiro, v. 9, n. 4, p. 7-23, dez. 2011.
Autor
Oliveira, Renato Ferreira de
Oliveira, Virgílio Cézar da Silva e
Santos, Antônio Carlos dos
Institución
Resumen
There are several elements in the political culture of small Brazilian towns, working against the democratic process and
solidarity in the community, leading to the deconstruction of the civic spirit. In this scenario, patronage deserves to be mentioned, along with patrimonialism and personalism. In order to discuss the domination and validity of these elements,
this article presents the case of Poço Fundo, a small municipality located in southern Minas Gerais. Three situations
were highlighted to demonstrate how these practices are tolerated and converted into individual strategy in the face of
public inefficiency and insensitivity, explaining how politicians take advantages for themselves and their political parties
of the favors rendered and how the cyclical nature of privileges constrain collective action that are capable to result in
resistance to the town´s political divide. The precariousness of the public services identified in the answers and
descriptions of the interviewees, although it seems to be a cause of this culture of doing favors, is above all else the
product of this. Thus, it is clear that population of Poço Fundo has not become a beneficiary of these practices, but rather
a hostage of the political system. Há uma diversidade de elementos na cultura política dos pequenos municípios brasileiros agindo em anteposição ao
processo democrático, à solidariedade social e para a desconstrução do espírito de comunidade cívica. Nesse cenário,
merece destaque a ação do clientelismo, do patrimonialismo e do personalismo. Com objetivo de discutir a dominação e
a vigência desses elementos em rotinas públicas e relações sociais, este artigo apresenta o caso de Poço Fundo,
município de pequeno porte localizado no Sul de Minas Gerais. Três situações foram destacadas para demonstrar como
tais práticas, além de toleradas, são convertidas em estratégia individual diante da ineficiência e da insensibilidade
pública, esclarecendo como os políticos capitalizam para si e para seus partidos os favores prestados e como a
natureza cíclica dos privilégios constrange ações coletivas, capazes de oferecer resistência ao “loteamento” político da
cidade. A precariedade dos serviços públicos identificada nos depoimentos, embora pareça causa da cultura do favor é,
antes de tudo, produto desta. Desse modo, ficou evidenciado que a população poçofundense não se tornou beneficiária
dessas práticas, mas sim, refém do sistema político.