Dissertação
“Sindicato é pra quem entende” (des)igualdade de gênero no sindicalismo dos empregados rurais de Moju – Pará
Registro en:
COSTA, Suellen Suzy de Souza. “Sindicato é pra quem entende” (des)igualdade de gênero no sindicalismo dos empregados rurais de Moju – Pará. Orientadora: Dalva Maria Mota. 2016. 108 f. Dissertação (Mestrado em Agriculturas Familiares e Desenvolvimento Sustentável) - Núcleo de Ciências Agrárias e Desenvolvimento Rural, Universidade Federal do Pará, Belém, 2016. Disponível em: . Acesso em:.
Autor
COSTA, Suellen Suzy de Souza
Institución
Resumen
Rural women began participating in greater numbers in trade unions, and other social
movements and organizations at the start of the 1980s. However, women's access to
leadership positions is still restricted. In this work I analyze the actions of women employed
in the oil palm cultivation sector and involved in the management of the SERMTAB - the
Moju Rural Workers Union. This research is predominantly qualitative, involving a case
study in the municipality of Moju, Pará. Non-directive and semi-structured interviews were
carried out with members of the Union's management, consisting of nine directors of which
three are women. The main findings show that SERMTAB is the largest representation body
for rural employees in Moju. Members of the management work in family-based agriculture
and come from a wide range of backgrounds and include young people, women and older
men. However, decision-making spaces are still in the hands of men. The fact that the union's
capacity for action is restricted and power relations hierarchized means that women remain in
a subaltern position and under male domination. Breakdown of power relations does,
however, take place in a subtle manner when women accept to participate in the union,
challenge family structures, debate with other workers and confront prejudice in their role as
trade unionists. Nevertheless, the fact that women are not formally part of management
hinders their emergence as rural, wage-earning workers and trade unionists. A maior inserção da mulher rural nos sindicatos e nos demais movimentos e organizações se
dá principalmente a partir início da década de 1980. Mesmo assim, a posição de liderança no
movimento sindical ainda é restrita para as mulheres. Neste trabalho analisei a atuação de
lideranças femininas assalariadas à dendeicultura na diretoria do Sindicato dos Empregados
Rurais de Moju – SERMTAB. A pesquisa foi realizada com abordagem predominantemente
qualitativa, por meio de um estudo de caso no município de Moju, Pará. Foram realizadas
entrevistas não-diretivas e semiestruturadas com os membros da diretoria do sindicato
composta por 09 diretores, dos quais, 3 são mulheres. As principais conclusões demonstram
que o SERMTAB é a maior entidade de representação dos empregados rurais de Moju. A
diretoria advém da agricultura familiar, é diversa com jovens, mulheres e homens mais
velhos, porém mantém os espaços de decisão restritos às figuras masculinas. Com a sua
atuação comprometida e relação de poder hierarquizada, colocam as mulheres em uma
condição subalterna e de domínio masculino. Contudo, o rompimento das relações de poder
ocorre de maneira sutil, ao aceitarem participar e fazerem o enfretamento familiar, entrarem
em embates com outros trabalhadores e encararem os preconceitos por serem sindicalistas.
Ainda assim, sua ausência formal na direção dificulta o surgimento de sua identidade
enquanto trabalhadora rural assalariada e sindicalista.