Dissertation
Avaliação ecotoxicológica do inseticida acetamiprida antes e após fotocatálise heterogênea por TiO2/UV
Fecha
2018Registro en:
SANTO, Danielli Gundes do Espírito. Avaliação ecotoxicológica do inseticida acetamiprida antes e após fotocatálise heterogênea por TiO2/UV. 2018. 83 f. Dissertação (Mestrado em Saúde Pública e Meio Ambiente) - Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, 2018.
Autor
Santo, Danielli Gundes do Espírito
Institución
Resumen
Dentre os diversos tipos de agrotóxicos, uma classe que vem ganhando destaque é a dos neonicotinóides, que atua como agonista seletivo de receptores nicotínicos de acetilconina em insetos, com consequente hiperatividade nervosa e colapso do sistema nervoso. Apesar de melhorarem a produção agrícola, os agrotóxicos proporcionam
impactos diretos à saúde humana e ao meio ambiente. Uma alternativa para a remediação ambiental de locais contaminados com este composto seria o tratamento com fotocatálise heterogênea com TiO2, uma vez que este processo tem se destacado pela sua elevada capacidade destrutiva de moléculas orgânicas. Concomitantemente, ensaios ecotoxicológicos com organismos-modelo podem ser realizados para indicarem se o tratamento resultará na redução da toxicidade do composto. Sendo assim, o
objetivo deste trabalho foi avaliar a toxicidade do inseticida acetamiprida antes e depois da fotocatálise heterogênea por TiO2/UV no organismo terrestre Eisenia andrei. O estudo consistiu na degradação do acetamiprida por fotocatálise heterogênea com TiO2/UV em diferentes tempos da reação. Na sequência, ensaios ecotoxicológicos com minhocas Eisenia andrei (ensaio de contato em papel de filtro, teste de fuga e ensaio da
toxicidade aguda e crônica em solo natural) foram realizados para avaliação da atividade enzimática da GST e CAT e do quantitativo de GSH, relacionados ao estresse oxidativo, além de análises celulares, bem como determinação da variação de biomassa e taxa reprodutiva. Nos ensaios de contato, a CL50 foi 1,12 mg L -1, todas as minhocas morreram na maior concentração (10 mg L -1) após 24 horas de exposição e, as que
sobreviveram em concentrações intermediárias, apresentaram alterações morfológicas, como inchaço, nódulos, partição e deformações clitelares, antes e após o tratamento com TiO2/UV. Nos tempos zero e quinze minutos da reação de degradação, todos os indivíduos morreram após 72 horas, indicando uma possível toxicidade dos fotoprodutos gerados durante a degradação. No ensaio crônico com o acetamiprida, houve redução no número de ovos em 100 % para a concentração 0,05 mg kg-1 e em
33,3% para a concentração 0,1 mg kg-1 e, no número de filhotes, redução de 91,3% para a concentração 0,05 mg kg-1 e em 50 % para a concentração 0,1 mg kg-1 em comparação com o controle. A atividade enzimática da catalase aumentou em relação ao controle após 45 dias na concentração 0,05 mg kg-1. Quanto ao ensaio crônico com os fotoprodutos, os tempos 0 e 15 minutos apresentaram inibição de 100 % no quantitativo de ovos e o tempo 0 minuto apresentou inibição de 100 % no número de filhotes. Nos testes de fuga, obtiveram-se respostas líquidas positivas nas maiores concentrações, ou seja, as minhocas apresentaram uma tendência de fugirem do lado do solo contaminado com o composto. No teste de fuga com o acetamiprida, as concentrações 0,1 e 1 mg kg-1
apresentaram respostas líquidas de 0,8667 e 0,6, respectivamente. Já no ensaio com os fotoprodutos, os tempos 10 e 30 minutos tiveram respostas líquidas de 0,433 e 0,1667, respectivamente. Também foram observadas alterações morfológicas na maior concentração (1 mg kg-1) após 48 horas no ensaio com o inseticida. Logo, o composto mostrou ser tóxico para as minhocas Eisenia andrei, o que levanta discussões acerca dos limites seguros para exposição humana e ambiental.