Dissertation
Avaliação da resposta inflamatória tecidual de pacientes com Leishmaniose cutânea recente
Fecha
2015Registro en:
SALDANHA, M. G. Avaliação da resposta inflamatória tecidual de pacientes com Leishmaniose cutânea recente. 2015. 84 f. il. Dissertação (Mestrado) – Fundação Oswaldo Cruz, Centro de Pesquisas Gonçalo Moniz, Salvador, 2015.
Autor
Saldanha, Maíra Garcia
Institución
Resumen
Introdução: A leishmaniose cutânea (LC) é a forma clínica mais frequente da leishmaniose
humana, considerada um importante problema de saúde no Brasil. A infecção por Leishmania
braziliensis induz um amplo espectro de lesões que pode se manifestar como uma única lesão
cutânea localizada, geralmente em partes descobertas do corpo. Tem início com uma pápula,
caracterizando a leishmaniose cutânea recente (LCR) e, na maioria dos casos, tende a
desenvolver uma úlcera, representando a leishmaniose cutânea clássica (LCC). Pacientes com
LCR apresentam um elevado número de parasitas na lesão e, frequentemente, não respondem
positivamente à terapia padrão, desenvolvendo a lesão mesmo após o tratamento. Objetivo:
Descrever de modo comparativo os aspectos histopatológicos na Leishmaniose Cutânea
Recente e Leishmaniose Cutânea Clássica. Métodos: Secções histológicas obtidas de biópsias
de pele de 15 pacientes com LCR e 28 com LCC, foram coradas em HE e mensuradas as
áreas de inflamação e necrose nas diferentes fases da doença. Realizamos imunohistoquímica
para marcação de células CD3+, CD4+, CD8+, CD20+, CD68+ e CD138+. Além disso,
utilizamos a microscopia eletrônica de transmissão para identificar morfologicamente as
células, localizar amastigotas nos meios intra e extracelulares e reconhecer possíveis
interações celulares. Resultados: Alterações na epiderme foram aparentes em ambas as fases
e na derme, foram mais frequentes as células gigantes e os neutrófilos na LCC. O número de
amastigotas foi maior na LCR, apresentando o parasita uma morfologia ultraestrutural íntegra,
sugerindo viabilidade. A inflamação conduzida por um variado espectro celular apresentou
uma predominância dos linfócitos T CD3+, com os subtipos CD4+ e CD8+, que aumentaram
de acordo com o progresso da doença. O número de macrófagos CD68+ foi correlacionado
positivamente ao número de amastigotas, nas fases tardias da doença. Além disso, houve uma
correlação positiva entre as células CD68+ e o tamanho da lesão nas fases iniciais e, entre os
macrófagos e a área de necrose, durante todo o curso da doença. Conclusão: A presença do
parasita e a extensiva infiltração celular, com participação efetiva dos macrófagos, provocam
alterações na epiderme e derme, contribuindo para o desenvolvimento da lesão cutânea e
interferindo na resposta terapêutica.