Thesis
Estudos sobre Lutzomyia (Lutzomyia) longipalpis (Lutz & Neiva, 1912) (Diptera: Psychodidae: Phebotominae): hábitos alimentares, infecção natural por Leishmania (Leishmania) infantum chagasi (Cunha & Chagas, 1937) e correlação com a expansão daleishmaniose visceral americana
Fecha
2013Registro en:
AFONSO, Margarete Martins dos Santos. Estudos sobre Lutzomyia (Lutzomyia) longipalpis: hábitos
alimentares, infecção natural por Leishmania (Leishmania) infantum chagasi e correlação com a expansão da leishmaniose visceral. 2013. xix,152p. Tese (Doutorado em Saúde Pública) - Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro. 2013.
Autor
Afonso, Margarete Martins dos Santos
Institución
Resumen
A Leishmaniose Visceral Americana (LVA) no Brasil é um importante problema de
Saúde Pública, cuja expansão geográfica tem possibilitado o seu estabelecimento em
áreas urbanas das médias e grandes cidades. Desta forma, ressalta-se a importância da
produção de conhecimentos sobre os fatores determinantes associados ao novo perfil
epidemiológico. Este estudo procurou identificar fatores da expansão e urbanização do
vetor, Lutzomyia (L.) longipalpis, numa abordagem ampla no contexto epidemiológico
da LVA, considerando múltiplas interações: ambiente, parasita e reservatórios. Os
objetivos foram: discutir os estudos sobre hábitos alimentares de insetos vetores de
patógenos humanos, com ênfase na subfamília Phlebotominae; analisar os fatores
associados ao processo de expansão e urbanização da LVA; discutir a expansão da LVA
no Estado do Tocantins correlacionando incremento de desflorestamento, estratificação
da doença, classes do uso do solo e presença do vetor L. (L.) longipalpis; diagnosticar a
infecção natural por Leishmania(L.) infantumchagasi em associação com a fonte
alimentar, através de métodos moleculares, em exemplares de L. (L.) longipalpis
procedentes dos municípios de Araguaína (TO), Fortaleza (CE), Sobral (CE), e Rio de
Janeiro (RJ). No atual cenário das mudanças ambientais, é fundamental a condução de
estudos voltados para as doenças relacionadas ao ambiente, como a LVA. Nesta
perspectiva, pesquisas sobre o vetor L. (L.) longipalpis devem produzir conhecimentos
que permitam entender a epidemiologia da doença, além de subsidiar o planejamento de
estratégias de controle. A análise ecoepidemiológica da LVA em Tocantins revelou que,
dos 139 municípios, 120 apresentaram registros de casos humanos. As áreas de
incremento do desmatamento se mantiveram frequentes, principalmente na região norte,
onde se observa elevado número de casos humanos. Em relação ao perfil de
estratificação, 40% dos municípios apresentaram expansão da LVA. Lutzomyia (L.)
longipalpis se mostrou presente em todas as classes do uso do solo, com correlação
negativa apenas para pastagem cultivada. Em relação ao registro anual de casos
humanos de LVA, dentre as áreas que apresentaram correlação positiva com maior
frequência destacam-se áreas de influência urbana e ambiente urbanizado. A avaliação
dos hábitos alimentares em flebotomíneos é capaz de responder questões importantes
sobre o comportamento, ecologia e adaptação dos vetores. Dentre as técnicas já
descritas, as mais utilizadas ainda são as técnicas imunológicas, embora as técnicas
moleculares vem sendo empregadas com maior frequência, pois permitem de forma
mais sensível a identificação da fonte alimentar e da infecção natural. Tais informações
são importantes, não apenas para um melhor conhecimento acerca dos vetores, mas
também sobre potenciais reservatórios de Leishmania. Em relação à preferência
alimentar, L. (L.) longipalpis apresentou índice de positividade de 29,3% relacionado
com fonte alimentar humana, seguido de cão e ave, não sendo encontradas fêmeas
alimentadas em gambá. O índice geral de infecção natural por L. (L.) infantumchagasi
foi de 4,51%, sendo 4,9% em Araguaína e 9,75% em Sobral. Das fêmeas infectadas de
Araguaína, uma estava alimentada com sangue de cão e outra em sangue humano. Em
Sobral, das quatro fêmeas infectadas, três estavam alimentadas em sangue humano.