Thesis
Análise de aspectos fenotípicos e funcionais de células CD8 positivas na infecção in vitro pelo vírus da imunodeficiências humana do tipo 1
Fecha
2003Registro en:
SOUZA, Lúcia Renata Meireles de. Análise de aspectos fenotípicos e funcionais de células CD8 positivas na infecção in vitro pelo vírus da imunodeficiências humana do tipo 1. 2003. 232f. Tese (Doutorado em Biologia Celular e Molecular) – Fundação Oswaldo Cruz, Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, 2003
Autor
Souza, Lúcia Renata Meireles de
Institución
Resumen
Células CD8+ participam do controle da infecção pelo HIV-1 através de atividades citolítica e supressora da replicação viral (não-citolítica). Contudo, durante a progressão da infeção, são observadas alterações em sua diferenciação e função. Várias razões para tal são postuladas, incluindo a suscetibilidade do próprio linfócito T CD8+ à infecção pelo HIV-1. Neste estudo, analisamos os efeitos da infecção in vitro pelo HIV-1 sobre o fenótipo de células CD8+. Comparado às culturas não-infectadas, observamos aumento de células CD8+ CD57+ e CD45RO+, bem como daquelas de estágio intermediário, enquanto a expressão de CD28 e o fenótipo naive diminuem, sem que haja aquisição do fenótipo efetor, padrão este mais evidente em culturas infectadas por vírus X4 que R5, e semelhante ao que é encontrado in vivo. A função da população expandida CD8+CD57+ foi avaliada e parece inibir a proliferação celular, e desse modo, a replicação viral. Nosso terceiro estudo objetivou analisar se a infecção produtiva de células CD8+ pelo HIV-1 afetaria resultados de ensaios de supressão viral in vitro. Nestes experimentos, utilizamos citocinas gc que apresentam-se alteradas na infecção pelo HIV-1, como IL-2, IL-7 e IL-15, e paradoxicalmente, IL-2 e IL-15 modulam ambos os papéis exercidos por células CD8+ na infecção: alvos e supressoras de replicação viral. Em parte, isto se explica pela cinética mais lenta do vítus nestas células, tornando-as reservatórios me potencial. Ainda, como células dendríticas (DC) produzem IL-15, avaliamos se esta citocina, endógena ou exógena, afetaria a susceptibilidade e atividade antiviral de células CD8+ frente ao HIV-1 em co-cultura com DC autólogas. De fato, IL-15 parece ser um importante estímulo para a atividade supressora de células CD8+ mesmo neste modelo mais fisiológico de replicação viral, embora também promova a infecção das mesmas células CD8+.
Esta infeção após contato com DC autólogas HIV-1-pulsadas pode ser explicada pela co-expressão de CD4 e CXCR4, provavelmente facilitada pela interação CD28/B7, já que células CD8+CD28+ apresentam maiores níveis de expressão destes receptores, bem como de produtividade do HIV-1. Portanto, terapias que utilizem as gc-cytokines IL-2 ou IL-15 devem levar em consideração não só a ativação de reservatórios de células CD4+, mas também de células CD8+.