Dissertação de mestrado
Suporte social e associação de queixa de sono com declínio cognitivo e funcional: uma coorte de 409 pessoas com demência
Fecha
2018-07-26Registro en:
CAMPOS, Tatiani Piedade de. Suporte social e associação de queixa de sono com declínio cognitivo e funcional: uma coorte de 409 pessoas com demência. Dissertação (Mestrado em Ciências) - Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo, 2018
2018 CAMPOS, TATIANI PIEDADE DE.Mestrado.pdf
Autor
Campos, Tatiani Piedade De [UNIFESP]
Institución
Resumen
Background: global population aging, especially in low and middle income countries as the ones in Latin America, increases the relevance of age related chronic conditions such as dementia, an important cause of disability and dependence among older people in these societies. Evidences point sleep complaints as risk factors for cognitive and functional decline and could have been associated with a worse prognosis in people with dementia. Social support has been suggested to minimize deleterious effects on people’s health and, therefore, it may minimize the effects of sleep complaints on cognitive and functional decline among those with dementia. Objective: estimate the association of sleep complaints with cognitive and functional decline in people with dementia, testing the hypothesis that an indicator of social support (having a partner) could modify these associations. Methods: secondary analysis of a dataset obtained from a longitudinal population study conducted by the 10/66 Dementia Research Group of 409 people with dementia from five Latin American countries, who were followed up for an average of 4 years. Measures from baseline: socio-demographics, marital status, sleep complaints, cognitive total scores, disability total score and number of illness. Sleep complaints were classified into four categories: (1) no sleep complaint at both baseline and follow-up, (2) sleep complaint at baseline only, (3) sleep complaint at follow-up only (4) sleep complaint at both baseline and follow-up. Measures from follow-up: sleep complaints, cognitive total scores, disability total score and number of illness. Multiple Linear Regression was used to estimate the association of sleep complaints with cognitive and functional decline in the total sample and, separately, for those who had a partner at baseline and for those who did not. All models were adjusted for potential confounders. Results: nearly one-third (31.1%) the elderly who composed the sample were over 85 years old, most of the participants were women (71.9%) and 70.3% had no partner. There was no statistically significant association between sleep complaints at any time and cognitive decline. However, risk associations were found between sleep complaints and disability when comparing complaints at follow-up to no complaints (β = 12.32, 95% CI: 4.44 – 20.21) and also when comparing sleep complaints at both, baseline and follow-up, to no complaints at all (β = 9.48, 95% CI: 1.41 – 17.54). Regarding the number of chronic diseases, the findings were similar. Those with sleep complaints at follow-up (β = 0.53, 95% CI: 0.03 – 1.02) and those with sleep complaints in both evaluations, baseline and follow-up (β= 0.83, 95% CI: 0.33 – 1.33) presented a greater risk compared to those without complaints. We also looked at the interaction effect of having a partner on these associations. There was no statistically significant interaction. However, we found stronger risk associations among those without a partner compared to those with a partner. Conclusion: we found that there was no association of sleep complaints with cognitive decline among people with dementia; however, risk associations were found between sleep complaints and functional decline, and these associations were stronger among those without a partner, strengthening the importance of social support on minimizing deleterious effects on people with dementia health. Other studies with better measures of social support and sleep complaints, as well as a longer follow-up are necessary for a better understanding of these associations. Introdução: o envelhecimento global da população, tanto em países de renda média e baixa como os da América Latina, aumenta a relevância das doenças crônicas relacionadas à idade, incluindo demência – uma causa importante de incapacidade e dependência entre idosos. Evidências apontam as queixas de sono como fatores de risco para declínio cognitivo e funcional e isso poderia estar associado a um pior prognóstico em pessoas com demência. O suporte social parece minimizar efeitos deletérios sobre a saúde das pessoas e, portanto, poderia minimizar os efeitos das queixas de sono sobre o declínio cognitivo e funcional em pessoas com demência. Objetivo: estimar a associação de queixas do sono com declínio cognitivo e funcional em pessoas com demência, testando a hipótese de que um indicador de suporte social (ter um parceiro) poderia modificar essas associações. Métodos: análise secundária de um banco de dados obtido a partir de um estudo populacional longitudinal conduzido pelo 10/66 Dementia Research Group com 409 pessoas com demência de cinco países latino-americanos, que foram acompanhadas por uma média de 4 anos. Medidas da linha de base: sociodemográficas, estado civil, queixas de sono, pontuação total cognitiva, pontuação total de incapacidade e número de doenças. As queixas de sono foram classificadas em quatro categorias: (1) sem queixas de sono tanto na linha de base quanto no seguimento, (2) queixa de sono apenas na linha de base, (3) queixa de sono apenas no seguimento (4) queixa de sono tanto na linha de base quanto no seguimento. Medidas do seguimento: queixas de sono, pontuação total cognitiva, pontuação total de incapacidade e número de doenças. Regressão Linear Múltipla foi utilizada para estimar a associação de queixas de sono com declínio cognitivo e funcional na amostra total e, separadamente, para aqueles que tinham um parceiro na linha de base e para aqueles que não tinham. Todos os modelos foram ajustados para os potenciais confundidores. Resultados: quase um terço (31,1%) dos idosos que compuseram a amostra tinha mais de 85 anos, a maioria dos participantes eram mulheres (71,9%) e 70,3% não tinham parceiro. Não houve associação estatisticamente significativa de nenhuma das categorias de queixas de sono com declínio cognitivo. No entanto, associações de risco foram encontradas entre queixas de sono e incapacidade quando comparando as categorias de queixa no seguimento com a sem queixas (β = 12,32, 95% CI: 4,44-20,21) e também ao comparar queixas de sono em ambas as avaliações, linha de base e seguimento, com aqueles sem nenhuma queixa (β = 9,48, IC 95%: 1,41 - 17,54). Em relação ao número de doenças crônicas, os achados foram semelhantes. Aqueles com queixas de sono no seguimento (β = 0,53, 95% CI: 0,03 - 1,02) e aqueles com queixas de sono em ambas as avaliações (β = 0,83, IC 95%: 0,33-1,33) apresentaram um risco maior comparados àqueles sem queixas. Também foi analisado o efeito da interação de ter um parceiro nessas associações. Não houve interação estatisticamente significativa. No entanto, foi encontrada associações de risco mais fortes entre aqueles sem um parceiro em comparação com aqueles com um parceiro. Conclusão: não foi encontrada associação de queixas de sono com declínio cognitivo entre pessoas com demência; entretanto, associações de risco foram encontradas entre queixas de sono e declínio funcional, e essas associações foram mais fortes entre aqueles sem parceiro, reforçando a importância do suporte social na minimização dos efeitos deletérios na saúde de pessoas com demência. Outros estudos com melhores medidas de suporte social e queixas de sono, assim como um seguimento mais longo são necessários para uma melhor compreensão destas associações.