| dc.description.abstract | Os programas de screening de câncer de mama representam uma estratégia efetiva para a redução de sua incidência e mortalidade. Nas últimas décadas, a importância das relações sociais na preservação da saúde vem sendo amplamente discutida, principalmente nos países desenvolvidos. Nesse contexto, inúmeros estudos
epidemiológicos têm investigado a influência de características do ambiente
psicossocial no risco de adoecer e de morrer, nos comportamentos relacionados à saúde e na utilização de serviços. Dentre essas características, destaca-se o conceito de apoio
social que, no caso desse estudo, envolve as dimensões de apoio material, afetivo, emocional, de informação e interação positiva.
O objetivo dessa investigação foi identificar associação entre a prevalência da prática do auto-exame das mamas e cinco diferentes dimensões de apoio social, entre as funcionárias de uma universidade no Rio de Janeiro.
As perguntas relativas ao apoio social e a freqüência do AEM foram incluídas em um questionário estruturado auto-preenchido, na primeira etapa de coleta de dados de um estudo de coorte, com 4030 funcionários técnico-administrativos (sendo 2240 mulheres).
A freqüência da prática relatada de AEM foi particularmente elevada entre as funcionárias do hospital universitário. Considerando-se o conjunto das funcionárias, a maior parcela (43%) informou realizar AEM “todo mês” ou “quase todo mês” e 24% informaram praticá-lo “raramente” ou “nunca”. A confiabilidade teste-reteste dessa informação foi alta: coeficiente kappa = 0,82 (IC95%:0,74-0,89).
As respostas às perguntas que constituíram cada uma das cinco dimensões de apoio social compuseram escores, cuja distribuição apresentou concentração nos valores mais altos (médias próximas a 80 pontos). Mesmo assim, foi possível discriminar subgrupos que apresentavam diferentes prevalências da prática de AEM segundo tercis
dos escores de apoio social. A prevalência da prática referida de AEM variou de forma direta com o nível dos cinco escores das dimensões de apoio social. Em cada dimensão, a chance de
praticar AEM foi duas vezes maior entre as funcionárias situadas no tercil mais alto de apoio, comparadas às funcionárias situadas no tercil mais baixo. Tendo o mesmo grupo de referência, as funcionárias situadas no nível intermediário dos escores (2º tercil) apresentaram chance 50% maior de praticar AEM.
A consistência dos resultados encontrados nas cinco dimensões permite concluir que níveis diferenciados de apoio social podem influenciar práticas de cuidados com a saúde como o AEM. | |