Tesis
Nacionalização - autoritarismo e educação
Autor
Pereira, Vera Regina Bacha
Institución
Resumen
Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Educação. Programa de Pós-Graduação em Educação te trabalho é fruto da preocupação com a preservação da memória histórica e da atuação dos inspetores junto aos professores nas décadas de 1930 e 1940, em Santa Catarina. Esse período foi marcado por grandes transformações, pois desprezava a democracia visto que se associava a desordens, greves e agitações sociais e voltava-se para os regimes fortes, que se empenhavam na constituição do Estado/Nação. Além disso, era um momento histórico e decisivo, marcado pela indefinição do jogo hegemônico mundial entre a Alemanha e os Estados Unidos. Já o Brasil, em sua posição subalterna, mas geograficamente estratégica, tira partido assegurando ganhos políticos, que consolidarão o desenvolvimento nacional. Na época o regime autoritário de Getúlio Vargas e a intelectualidade cooptada repensaram a questão dos núcleos estrangeiros; desenvolveram um projeto específico de nacionalização que atuava de forma coercitiva visando à assimilação cultural dos imigrantes a partir dos estabelecimentos de ensino primário. O projeto de nacionalização tinha como pilares "conteúdos nacionais", como a imposição do uso da língua e os aspectos mais modernos relacionados com o ufanismo verde-e-amarelo, a propagação da história mitificada dos "grandes vultos" (heróis nacionais), a disseminação dos hinos patrióticos, o culto às autoridades, enfim, a cultura e as tradições nacionais seriam assimiladas via escola. Pregavam ainda a padronização do ensino para todos os cursos, com um sistema federal e estadual de fiscalização que garantisse a desejada homogeneidade. Com esse entendimento procuramos dar visibilidade ao projeto de nacionalização de Vargas, em que a educação era considerada instrumento de inculcação dos princípios do Estado Novo e arma de luta ideológica. O foco recai especialmente sobre a intervenção de Nereu Ramos, compromissado com essa homogeneização nacional. Neste contexto buscamos compreender o papel dos inspetores como coadjuvantes na formação dos professores, mas valorizando principalmente os aspectos de sua atuação fiscalizadora sobre os docentes nos bastidores da repressão nacional, como elementos constitutivos da história da educação catarinense, Estado que contava com várias colônias de imigrantes (alemães, italianos, polacos) no período de instituição e afirmação da nacionalidade. A legislação federal e estadual imposta pelo Estado forte se constituiu em um mecanismo utilizado pelos inspetores, pela Delegacia da Ordem Política e Social - órgão de polícia política -, e pelo Exército brasileiro para atingirem a homogeneização e a integração do imigrante. Situação essa que propiciou momentos de tensão, intriga e denúncia, provocando a exclusão e até a prisão de docentes.