doctoralThesis
Tecendo os fios da memória: palavra e memória nos romances de Mia Couto
Autor
MASCENA, Suelany Christtinny Ribeiro
Institución
Resumen
Mia Couto é um dos escritores africanos de língua portuguesa que possui uma vasta fortuna crítica, sobretudo nas produções romanescas. No entanto, faz-se necessário um estudo mais ampliado do conjunto de suas narrativas, pois, até o presente momento, elas foram analisadas individualmente ou por separações temáticas que englobam as identidades, a guerra, a tradição, as oralidades e a memória. Tais pontos ratificam a inserção do ficcionista moçambicano na estética dos romances e contos africanos em língua portuguesa. Desse modo, esta tese tem o intuito de pensar como se dão as manifestações da memória na composição do gênero e na tessitura narrativa, partindo de Terra Sonâmbula (1992) até Antes de Nascer o Mundo (2009) ou Jesusalém, nome dado à publicação portuguesa. Utilizamos o recorte das guerras (de libertação e civil), para relacionar a memória com a história, as oralidades (a palavra) e o esquecimento. Para isso, recorremos à figura do narrador-griot, termo utilizado para caracterizar o contador de estórias dentro do espaço narrativo e aproximar o leitor das tradições orais, da memória e da ancestralidade. Pensando sobre o eixo principal deste trabalho – a memória –, optamos pelas reflexões de Walter Benjamin (1994), Henri Bergson (2006), Maurice Halbwachs (2006), Zilá Bernd (2013), Paul Ricoeur (2007), Beatriz Sarlo (2007) e Aleida Assmann (2011). Para tanto, adentramos no universo dos estudos pós-coloniais, problematizando a utilização do termo, bem como realizamos um panorama dos principais estudiosos da área como, por exemplo, Gayatri Spivak (2010), Homi Bhabha (2007), Edward Said (2011), Stuart Hall (2009) e Édouard Glissant (2005). A fim de inserir o autor em seu contexto de produção, utilizamos as análises críticas de Ana Mafalda Leite (1998), de Manuel Ferreira (1985-1989) e de Lourenço do Rosário (1989). Portanto, defendemos que as produções romanescas do autor são perpassadas por memórias, contadas sob a ótica do narrador-griot, com o intuito de ressignificar as guerras, a história e os bens culturais de Moçambique. Desse modo, percebemos que o conjunto da obra do autor expõe, no espaço ficcional, as consequências das guerras e a importância da memória para a preservação das identidades e da ancestralidade. FACEPE Mia Couto es uno de los escritores africanos de lengua portuguesa que posee una amplia bibliografía crítica, sobre todo en las producciones novelísticas. Sin embargo, se hace necesario un estudio más extenso del conjunto de sus narrativas, pues, hasta el momento, las obras no fueron analizadas en conjunto sino individualmente o por temas que engloban las identidades, la guerra, la tradición, las oralidades y la memoria. Tales puntos ratifican la inserción del escritor mozambiqueño en la estética de las novelas y cuentos africanos en lengua portuguesa. Asimismo, esta tesis se propone a pensar cómo se manifiesta la memoria en la composición del género y en la tesitura narrativa, desde Terra Sonâmbula (1992) hasta Antes de Nascer o Mundo (2009) o Jesusalém, título de la publicación portuguesa. Utilizamos el contexto histórico de las guerras (de liberación y civil), para relacionar la memoria con la historia, las oralidades (la palabra) y el olvido. Para esto, recurrimos a la figura del narrador- -griot, término utilizado para caracterizar el cuentista dentro del espacio narrativo y acercar el lector a las tradiciones orales, de la memoria y de la ancestralidad. Pensando sobre el eje principal de la investigación – la memoria –, optamos por las teorías de Walter Benjamin (1994), Henri Bergson (2006), Maurice Halbwachs (2006), Zilá Bernd (2013), Paul Ricoeur (2007), Beatriz Sarlo (2007) y Aleida Assmann (2011). Para ello, nos adentramos en el universo de los estudios postcoloniales, problematizando la utilización del término, al mismo tiempo que ofrecemos un panorama de los principales estudiosos del área como, por ejemplo, Gayatri Spivak (2010), Homi Bhabha (2007), Edward Said (2011), Stuart Hall (2009) y Édouard Glissant (2005). Con el objetivo de enmarcar al autor en su contexto de producción, utilizamos los análisis críticos de Ana Mafalda Leite (1998), de Manuel Ferreira (1985-1989) y de Lourenço do Rosário (1989). En este sentido, defendemos que las producciones novelísticas del autor son traspasadas por memorias, contadas bajo la mirada del narrador-griot, con el propósito de ofrecer nuevos significados para las guerras, la historia y los bienes culturales de Mozambique. Así, percibimos que el conjunto de la obra del autor expone, en el espacio ficcional, las consecuencias de las guerras y la importancia de la memoria para la preservación de las identidades y de la ancestralidad.