Tesis
Envolvimento da pessoa no manejo da doença renal crônica e da terapia renal substitutiva
Fecha
2017-09-15Registro en:
ALMEIDA, Onislene Alves Evangelista de. Envolvimento da pessoa no manejo da doença renal crônica e da terapia renal substitutiva. 2017. 140 f., il. Dissertação (Mestrado em Enfermagem)—Universidade de Brasília, Brasília, 2017.
Autor
Almeida, Onislene Alves Evangelista de
Institución
Resumen
INTRODUÇÃO: Com o impacto da morbimortalidade das Condições Crônicas em Saúde na população mundial, modelos de saúde alternativos têm levantado questões sobre a participação efetiva das pessoas em seus próprios cuidados. Assim, diversas perspectivas sobre o tema suscitaram conceitos sobre o envolvimento e a participação da pessoa nos cuidados em saúde. Como condição crônica, a Doença Renal dialítica por sua complexidade torna imprescindível a participação da pessoa no seu adequado manejo. Desse modo, promover o engajamento das pessoas nos cuidados relacionados à Doença Renal Crônica (DRC) e hemodiálise (HD) é fundamental no sucesso terapêutico. OBJETIVOS: Compreender as percepções da pessoa em terapia renal substitutiva sobre práticas de envolvimento e participação nos seus cuidados da DRC e HD. MÉTODO: Pesquisa qualitativa cuja estratégia metodológica para coleta dos dados fora a entrevista semiestruturada com onze sujeitos. Os participantes tinham acima de dezoito anos e mais de três meses em hemodiálise em um hospital universitário do Distrito Federal. Efetuamos agendamento prévio e a entrevista foi realizada em local reservado. Dados sociodemográficos, clínicos e laboratoriais foram verificados em prontuário físico e eletrônico, complementados durante a entrevista. Aplicamos a Análise de Conteúdo de modalidade temática no tratamento dos dados qualitativos. Este trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos, parecer n. 1.508.124. RESULTADOS: Entrevistamos seis homens e cinco mulheres, a maioria acima de 40 anos, casados, com ensino médio completo e renda previdenciária. Quanto à renda, seis deles relatam ter renda familiar de dois a quatro salários mínimos, enquanto que os outros cinco afirmaram contar apenas com um salário mínimo. A religião católica foi predominante. Entre os sujeitos participantes, oito realizavam hemodiálise há mais de cinco anos, as causas mais comuns da perda da função renal foram as glomerulopatias, seguida da hipertensão arterial. Apenas um participante possuía cateter como acesso venoso e sete tiveram internação hospitalar há mais de um ano. Dos dez que tinham indicação para transplante renal, seis estavam na lista de espera. Seis pessoas estavam com peso seco nos parâmetros. Foram identificadas quatro Categorias Temáticas e subcategorias: 1. Autocuidado para a Pessoa no Contexto da Doença Renal Crônica; 2. Redes de (des)apoio; 3. Substituindo a Função Renal; 4. Participação Limitada. Na primeira categoria, cumpre destacar, os temas dieta e medicação predominaram, mas posturas de envolvimento nos cuidados também foram reveladas. As redes de apoio apresentaram-se como fragilizadas, apesar de percebidas como importantes. As figuras dos profissionais de saúde foram relacionadas às experiências negativas durante a assistência de saúde. As terapias renais substitutivas (HD e transplante) foram associadas ao bem-estar, embora ligadas ao medo e angústia pela dependência do tratamento. Verificamos também comportamentos de baixa participação nos cuidados, evidenciandose não cumprimento do regime terapêutico. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Os temas representam a amplitude dos cuidados com que a pessoa em HD poderia e deveria se envolver. Assim, ela precisa ser estimulada para desenvolver o autogerenciamento eficaz de sua condição, cabendo aos serviços assistenciais e a seus profissionais promoverem o empoderamento e a ativação dessas pessoas rumo a desfechos otimizados em saúde.