Tesis
Avaliação do discurso e processamento visual como marcadores biológicos da esquizofrenia
Fecha
2022-02-17Registro en:
COSTA, Ana Luísa Lamounier. Avaliação do discurso e processamento visual como marcadores biológicos da esquizofrenia. 2021. 125 f., il. Tese (Doutorado em Ciências da Saúde) — Universidade de Brasília, Brasília, 2021.
Autor
Costa, Ana Luísa Lamounier
Institución
Resumen
A esquizofrenia é um transtorno mental com prevalência em torno de 1,4 a 4,6 por mil
habitantes, sendo responsável por uma grande carga individual e social de incapacidade e
perdas econômicas. Atualmente, seu diagnóstico é baseado na apresentação clínica, com auxílio
de manuais diagnósticos como DSM-5 e CID-10. O aspecto biológico da esquizofrenia é
evidente, com grande produção de pesquisas sobre as causas genéticas e ambientais da
doença, bem como seus correlatos anatômicos, de imagem e neurofarmacológicos. Ainda assim,
não existem biomarcadores que permitam a realização de um diagnóstico objetivo e observador
independente. Alterações do processamento sensorial e da linguagem na esquizofrenia têm sido
amplamente estudados e apresentam características que os colocam como candidatos a
biomarcadores. Na presente pesquisa, foram estudas a sensibilidade à ilusão de Müller-Lyer e
análise automatizada do discurso em pacientes com esquizofrenia e familiares. Foi realizada
uma revisão sistemática sobre a percepção de ilusões visuais na esquizofrenia para se
estabelecer o atual entendimento sobre o tema e elencar os obstáculos metodológicos possíveis.
Paralelamente, foram avaliados pacientes com esquizofrenia na tarefa com a ilusão de Müller Lyer, na versão modificada de Brentano. Os participantes foram submetidos à entrevista
estruturada da escala PANSS e parte dos seus discursos foi avaliada utilizando o software
Speech Graphs©. Observou-se que pacientes com esquizofrenia crônica são mais suscetíveis à
ilusão de Müller-Lyer e apresentam maiores níveis de conectividade de discurso em resposta a
perguntas sequenciais do que familiares e indivíduos saudáveis, embora estas duas alterações
não estejam correlacionadas entre si. A sensibilidade à ilusão está associada ao tempo de
progressão do transtorno. Ademais, encontrou-se baixa associação entre a progressão dos
sintomas avaliados. Os presentes resultados reforçam a necessidade de ferramentas
diagnósticas mais amplas para que os parâmetros aqui avaliados possam ser futuramente
empregados como biomarcadores.