Tesis
Caracterização morfológica de tecidos e fibroblastos gengivais de pacientes com Síndrome Esmalte Renal e Síndrome de Raine
Fecha
2021-05-20Registro en:
COSTA, Cláudio Rodrigues Rezende. Caracterização morfológica de tecidos e fibroblastos gengivais de pacientes com síndrome Esmalte Renal e síndrome de Raine. 2021. 153 f., il. Tese (Doutorado em Ciências da Saúde)—Universidade de Brasília, Brasília, 2021.
Autor
Costa, Cláudio Rodrigues Rezende
Institución
Resumen
A fibromatose gengival (FG) pode ser definida como um crescimento progressivo da gengiva caracterizado por um aumento fibroso no tecido conjuntivo, podendo ser observadas como parte das síndromes Esmalte Renal (ERS) e síndrome de Raine (RNS). A ERS e RNS são causadas por variantes patogênicas recessivas nos genes que codificam as proteínas FAM20A e FAM20C e ambas manifestam anomalias orodentais e calcificações ectópicas em tecido conjuntivo. O presente estudo teve com objetivos: 1) realizar revisão sistemática da literatura disponível com o propósito de sintetizar as características clínicas e genéticas de síndromes com fibromatose gengival, 2) analisar as características histopatológicas de gengiva de uma paciente com ERS e dois pacientes de famílias com RNS, não relacionadas, em acompanhamento na Clínica de Atenção Odontológica para Doenças Raras na Unidade de Saúde Bucal do Hospital Universitário de Brasília e 3) estabelecer e caracterizar culturas primárias de fibroblastos (hGFCs) a partir de tecidos doados pelos três pacientes sindrômicos e cinco indivíduos controle. A revisão sistemática identificou a ERS como a síndrome com maior frequência de fibromatose gengival relatada, seguida pelas síndromes de Zimmermann-Laband e síndrome de Costello. A hipertricose, a calcificações ectópicas gengivais e o querubismo foram outras manifestações clínicas descritas nos casos relatados. As variantes patogênicas mais frequentemente descritas foram as do gene FAM20A. Os resultados da análise histológica confirmaram o diagnóstico defibromatose gengival e mostraram a presença de calcificações ectópicas nos tecidos analisados. Além disso, foi demostrado a expressão de FAM20A, FAM20C nos tecidos gengivais de pacientes ERS e RNS assim como a expressão de α-SMA em um paciente RNS. Quanto às culturas primárias de fibroblastos gengivais controle, ERS e RNS, foi observada a diminuição na viabilidade e proliferação das células de ERS e RNS. Além disso, foi demonstrado que os núcleos de fibroblastos de RNS apresentam um aumento significativo de tamanho em comparação com as células controle (p <0,0001). A expressão de FAM20A, FAM20C e α-SMA foi observada no citoplasma celular. Uma subexpressão de ERK nos fibroblastos ERS e RNS em relação ao controle foi observada, sugerindo que a via ERK possa estar alterada nas duas síndromes. Finalmente, este estudo demonstrou a capacidade de formação de nódulos minerais dos fibroblastos gengivais de ERS e RNS. Esses resultados expandem o conhecimento em alguns aspectos da patogênese das síndromes, no entanto, novos estudos e análises pós transcricionais são necessários para elucidar os mecanismos que resultam em anormalidades gengivais e para melhor compreender o papel das proteínas FAM20A e FAM20C na fisiopatologia das ERS e RNS.