Tesis
Fitossociologia e ecologia de população de Dipteryx alata Vog. (baru) em área de transição cerrado denso/mata estacional, Pirenópolis, Goiás
Fecha
2020-05-27Registro en:
BRITO, Márcia Aparecida. Fitossociologia e ecologia de população de Dipteryx alata Vog. (baru) em área de transição cerrado denso/mata estacional, Pirenópolis, Goiás. 2004. 148 f. Tese (Doutorado em Ecologia)—Universidade de Brasília, Brasília, 2004.
Autor
Brito, Márcia Aparecida de
Institución
Resumen
O barueiro {Dipteryx alata Vog.) é uma espécie de planta da família Leguminosae Papilionoideae, que ocorre naturalmente no Bioma Cerrado brasileiro, com distribuição ampla nos Estados do Tocantins, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. £>. alata apresenta frutos comestíveis (polpa e semente), que são disseminados durante a estação seca, época de baixa disponibilidade de frutos no Cerrado, sendo fonte de alimentos para vários grupos da fauna, como macacos, morcegos, roedores (cutia, paca, entre outros) e insetos (coleópteros). Suas flores são intensivamente visitadas por insetos, especialmente, abelhas. Representa importância econômica para as populações do Cerrado, especialmente da região do Estado de Goiás, por meio da comercialização de suas sementes. Com o objetivo de conhecer a estrutura fitossociológica de vegetação com ocorrência natural de D. alata, bem como aspectos da ecologia populacional dessa espécie, foram selecionadas duas áreas de transição Cerrado Denso/Mata Estacionai, localizadas acerca de 30 km da cidade de Pirenópolis, Goiás. A primeira área apresenta relevo plano, sendo denominada, no presente estudo, de Transição Plana, e a segunda, sobre relevo acidentado, foi denominada de Transição Acidentada. Os objetivos específicos do estudo foram: a) verificar a composição florística e estrutura fitossociológica do componente lenhoso de uma área de transição Cerrado Denso/Mata Estacionai sobre relevo plano (Transição Plana), com ocorrência natural de Dipteryx alata; b) determinar a estrutura populacional de Dipteryx alata em duas áreas de transição Cerrado Denso/Mata Estacionai (Transição Plana e Transição Acidentada); c) relacionar a distribuição (densidade) de indivíduos de D. alata com as propriedades químicas do solo nas duas áreas de estudo; d) avaliar a dinâmica populacional de D. alata em uma área de transição Cerrado Denso/Mata Estacionai sobre relevo plano (Transição Plana), no período de um ano (2001- 2002). Para o levantamento fitossociológico, foram demarcadas 100 parcelas de 10 m x 10 m, na Transição Plana, onde foram amostrados todos os indivíduos com diâmetro a altura do peito (DAP) > 5 cm. O estudo demográfico de D. alata foi realizado em duas áreas de transição Cerrado Denso/Mata Estacionai, em novembro de 2001 e em novembro de 2002 (Transição Plana) e em maio de 2003 (Transição Acidentada). Em cada área foram demarcadas 100 parcelas de 10 m x 10 m, onde foram mapeados e tomadas medidas de diâmetro no nível do solo e altura total de todos os indivíduos de D. alata. A Transição Plana apresentou 96 espécies lenhosas. O índice de Shannon (H’) foi de 3,94 nats/indivíduo, enquanto o índice de equabilidade de Pielou (J’) foi de 0,86. As espécies Qualea grandiflora, Simarouba versicolor, Xylopia aromatica e Dipteryx alata foram as mais importantes dessa comunidade. Os resultados da análise dos solos nas duas áreas de estudo revelaram que os solos da Transição Plana são menos férteis do que os da Transição Acidentada. Na Transição Plana, foram amostrados 1258 indivíduos de D. alata em um hectare, compreendendo 776 plântulas (indivíduos com altura inferior ou igual a 30cni); 459 juvenis (indivíduos maiores que 30 cm e com DAP menor que 11 cm) e 23 adultos (indivíduos com DAP igual ou maior que 11 cm), em novembro de 2001. Na Transição Acidentada, foram mapeados, em maio de 2003, 164 indivíduos de D. alata em um hectare, compreendendo 53 plântulas; 100 juvenis e 11 adultos. Nos dois locais de estudo (Transição* Plana e Transição Acidentada), as distribuições de diâmetro de D. alata foi desbalanceada, sugerindo recrutamento episódico. Por outro lado, observa-se que as populações, especialmente a da Transição Plana, apresentam potencial para atingir o equilíbrio ao longo do tempo. O pequeno tamanho da população de D. alata na Transição Acidentada, em comparação com a Transição Plana, pode ser decorrente de dificuldades no recrutamento e baixa sobrevivênciadas plântulas nos últimos anos. Em relação à distribuição espacial dos estádios de plântulas, juvenis e adultos, a avaliação do índice de Morisita, em função do tamanho de parcelas, mostrou que as plântulas, juvenis e XIV adultos de D. alata apresentaram padrão de distribuição agregado em todos os tamanhos de parcelas nas duas áreas de estudo (Transição Plana e Transição Acidentada), com exceção dos adultos da Transição Plana, que apresentaram padrão aleatório nas parcelas de maior tamanho. No estudo da dinâmica populacional de D. alata, na Transição Plana, verificou-se que as distribuições da população total de D. alata por classes de diâmetro e de altura não diferiram significativamente entre os dois censos (2001 e 2002). Assim sendo, a população manteve o padrão observado no ano de 2001. A população de D alata apresentou aumento líquido de 60 indivíduos em um ano de estudo. No período de 1 ano (2001 a 2002), a população total de D. alata apresentou alta taxa de sobrevivência (97%), com taxas de recrutamento anual e mortalidade anual de 7,63%.ano_1 e 2,86%.ano"1, respectivamente. A taxa de mudança da população total de D. alata foi de 4,77%.ano"1, indicando que a taxa de mortalidade foi compensada pelo recrutamento. Os resultados alcançados no presente estudo poderão contribuir para subsidiar a conservação e o uso sustentável de Dipteryx alata no Cerrado.