Artigo de Periódico
The Assessment for Disinvestment of Intramuscular Interferon Beta for Relapsing-Remitting Multiple Sclerosis in Brazil
Fecha
2017Registro en:
10.1007/s40273-017-0579-0
1170-7690
Autor
Livia Lovato Pires Delemos
Marion Bennie
Ivan Ricardo Zimmermann
Vânia Crisitna Canuto Dos Santos
Clarice Alegre Pretramale
Francisco de Assis Acurcio
Augusto Afonso Guerra Júnior
Marisa Santos
Carlos Magliano
Isabela Diniz
Kathiaja Souza
Ramon Gonçalves Pereira
Juliana Alvares
Brian Godman
Institución
Resumen
No Brasil, a inclusão e exclusão de tecnologias em saúde no Sistema Único de Saúde (SUS) é de responsabilidade da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias em Saúde (CONITEC). Uma revisão sistemática recente da Cochrane demonstrou que o interferon beta 1a intramuscular (IFN-β-1a-IM) foi inferior aos outros interferons beta (IFN-βs) para esclerose múltipla (EM). Como resultado, a CONITEC encomendou uma análise para analisar possíveis desinvestimentos no SUS. O objetivo deste artigo é descrever o processo de desinvestimento do IFN-β-1a-IM no Brasil. A primeira avaliação compreendeu uma revisão da literatura e meta-análise de comparação de tratamento misto. O desfecho de interesse foi a proporção de pacientes sem recidiva em 2 anos. Esta análise confirmou a inferioridade do IFN-β-1a-IM. Em seguida, a CONITEC recomendou o desinvestimento, com a decisão encaminhada para consulta pública. Mais de 3.000 contribuições foram feitas na página da CONITEC, a maioria contra a decisão liminar. Como resultado, a CONITEC encomendou um estudo para avaliar a eficácia do IFN-β-1a-IM entre pacientes brasileiros em atendimento clínico de rotina. A segunda avaliação envolveu um acompanhamento de 11 anos de uma coorte não concorrente de 12.154 pacientes com EM desenvolvida por meio de relacionamento determinístico-probabilístico de bancos de dados administrativos do SUS. A avaliação do mundo real demonstrou ainda que os usuários de IFN-β-1a-IM tiveram um risco estatisticamente maior de falha no tratamento, definido como troca de tratamento ou tratamento de recaída ou morte, com a avaliação mostrando que IFN-β-1a-IM foi inferior a os outros IFN-βs e ao acetato de glatirâmero em análise direta e indireta. No ranking de medicamentos com 40.000 simulações, o IFN-β-1a-IM foi a pior opção, com taxa de sucesso de apenas 152/40.000. A seguir, a CONITEC decidiu excluir a apresentação intramuscular de IFN-β das diretrizes atuais de tratamento da EM, dando aos pacientes que estão atualmente em tratamento com este tratamento a opção de continuar até a falha do tratamento. Concluindo, acreditamos que este é o primeiro exemplo desse novo processo de desinvestimento em ação, dando um exemplo para outros tratamentos no Brasil e em outros países.