Tese de doutorado
O papel da estereoeletroencefalografia em pacientes com síndrome de epilepsia bitemporal na erada ressonância magnética
Fecha
2009Registro en:
São Paulo: [s.n.], 2009. 126 p.
epm-0030514192843.pdf
Autor
Centeno, Ricardo Silva [UNIFESP]
Institución
Resumen
Objetivos. Avaliar, na era da ressonância magnética, a eficácia da estereoeletroencefalografia, na investigação da síndrome de epilepsia bitemporal, em pacientes cujos dados da investigação pré-operatória não invasiva foram discordantes. Avaliar o controle das crises nestes pacientes investigados com a monitorização de eletrodos profundos e que posteriormente foram submetidos à ressecção cirúrgica. Material e Métodos. Foram estudados 86 pacientes com síndrome de epilepsia bitemporal submetidos à monitorização com eletrodos intracranianos. A monitorização com eletrodos de profundidade foi realizada com o objetivo de se obter dados para a indicação do lado a ser operado ou para afastar a cirurgia, confirmando e idéia de uma epilepsia bitemporal. Foi analisado o risco e a eficácia para obtenção destes dados através deste procedimento. A estereoeletroencefalografia e a ressonância magnética foram agrupadas de acordo com o grau de lateralização dos seus dados, com o objetivo de analisar o impacto destes exames na indicação cirúrgica e no resultado da cirurgia. Foi avaliado o controle das crises nos pacientes submetidos ao tratamento cirúrgico. Foram estudadas diversas variáveis da investigação, procurando correlacioná-las ao prognóstico cirúrgico destes pacientes. Resultados. Não houve relato de mortes pela implantação dos eletrodos profundos e a morbidade relacionada ao procedimento foi baixa, de 2,3 por cento. A eficácia da estereoeletroencefalografia foi de 81 por cento, sendo capaz nestes casos de prover informações críticas que deram suporte ou contra indicaram a cirurgia. Num total de 78 pacientes com crises registrados na estereoeletroencefalografia, 44 (57 por cento) tiveram crises clínicas e eletrográficas que se originaram exclusivamente ou na sua grande maioria em um único lobo temporal. Dos 60 pacientes submetidos à cirurgia, após investigação por estereoeletroencefalografia, com um acompanhamento pós-operatório mínimo de dois anos, 48 (80 por cento) obtiveram uma melhora considerável da sua frequência de crises, dos quais 33 (55 por cento) evoluíram livres ou com raras crises após a cirurgia. Conclusões. Na era da ressonância magnética, a implantação de eletrodos profundos continua sendo um procedimento seguro e eficaz, podendo beneficiar uma grande parcela de pacientes com a síndrome de epilepsia bitemporal. Estes pacientes, operados após investigação por este método, alcançaram uma melhora considerável no controle de suas crises. O registro das crises exclusivamente no lobo temporal ressecado foi o único fator que isoladamente, na nossa série, esteve relacionado a um excelente prognóstico cirúrgico.