info:eu-repo/semantics/article
De acordo com o quê: arte e a filosofia do "fim da arte"
Autor
Kudielka, Robert
Resumen
Em 1964, quando Danto pela primeira vez encontrou a Brillo Box de Warhol, Jasper Johns fez uma pintura intitulada De acordo com o quê. O novo livro de Danto, Após o fim da arte, também provoca essa questão porque em sua reafirmação do veredito de Hegel sobre o papel histórico da arte ele abandona uma parte essencial da definição implícita de arte: a questão da adequação entre conteúdo e apresentação.
Por que dispensar esse ponto crucial do julgamento de qualidade? Minha crítica se divide em três partes. A primeira parte mostra como todo o argumento histórico se apoia em uma mudança de critério. De acordo com Hegel, a arte atinge seu mais alto ponto de realização na antiguidade clássica quando a incorporação adequada parecia indispensável para a presença do espírito. Subsequentemente perdeu esse posto exclusivo – primeiro através da Cristandade, depois através da filosofia moderna – quando emergiu uma nova autoconsciência que não mais parecia precisar de manifestação externa. Ainda que Danto discuta o conceito de autocontrole absoluto como o ponto de fuga metafísico da construção de Hegel, ele, no entanto, endossa sua aparente evidência na arte e na cultura do final do século XX. Na segunda parte discuto as características distorções do tipo hegeliano de historicismo e as confronto tanto com a óbvia deturpação das próprias obras de arte quanto com o diferente código de conduta na história prática da arte. Isso leva a uma conclusão algo decepcionante: de acordo com um antigo, profundamente enraizado preconceito filosófico, não há problema sobre qualidade em arte, porque o verdadeiro parâmetro e concretização da arte é a própria filosofia. A parte final tenta desatar esse nó ao mostrar que há, na verdade, contemporaneamente a Hegel, uma notável interpretação diferente dos auto referentes auspícios da arte moderna que chega muito perto de suas verdadeiras realizações, e isso sem negar o básico predicamento filosófico do qual Danto nos lembrou.