masterThesis
Repercussões sócio-espaciais na zona da mata pernambucana : a transição da agricultura patronal para a agricultura familiar no Assentamento Ilhetas
Registro en:
SILVA, Heverton Ralph Arcanjo Batista da. Repercussões sócio-espaciais na Zona da Mata Pernambucana: a transição da agricultura patronal para a agricultura familiar no Assentamento Ilhetas. Recife, 2012. 163 f. : Dissertação (mestrado) - UFPE, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-graduação em Geografiia, 2012..
Autor
SILVA, Heverton Ralph Arcanjo Batista da
Institución
Resumen
Usinas de Açúcar falidas, posteriormente desapropriadas, deram origem aos
territórios de assentamentos rurais na Zona da Mata Pernambucana, repercutindo
na transição da agricultura patronal para a agricultura familiar. Ao longo do século
XX os trabalhos agrícolas são baseados na relação patrão x empregado,
favorecendo a exploração da mão-de-obra agrícola, abuso de autoridade, opressão
social e alienação cultural. Todavia, as freqüentes falências de usinas na região
geraram uma massa de desempregados que, posteriormente, se aliam aos
movimentos rurais sindicalistas, reivindicando a posse das terras improdutivas
destas unidades. A chegada da Reforma Agrária na região desencadeia um conjunto
de repercussões sócio-espaciais que serão analisadas em profundidade no
Assentamento Ilhetas, situado no Município de Tamandaré. Este assentamento é
formado por ex-funcionários da massa falida da Usina Central Barreiros, os quais,
após a conquista das terras, passaram a desenvolver a agricultura familiar em seus
lotes. O presente trabalho adota o método dialético, enquanto os principais
procedimentos metodológicos baseiam-se na revisão bibliográfica e nas entrevistas
diretas. O objetivo geral é demonstrar que a partir da transição da agricultura
patronal para a agricultura familiar, no território dos assentamentos rurais da Zona
da Mata, houve melhorias nas condições de vida dos agricultores. Em relação ao
trabalho, a mão-de-obra assalariada passa a ser autônoma; os meios de produção
concentrados pelos patrões também passam a pertencer aos agricultores familiares;
o monopólio da indústria sucroalcooleira é reduzido com a expansão da agricultura
familiar; a plantação de cana-de-açúcar em assentamentos rurais configura um novo
sistema agrícola; a expansão dos minifúndios por meio dos projetos de
assentamentos repercute em mudanças na estrutura fundiária na Zona da Mata; a
relação dos agricultores com a terra é influenciada pela gestão do tempo; a unidade
territorial Engenho passa para a condição de Assentamento ou de AssentamentoEngenho;
a posse da terra fornecida aos agricultores acentua a cadeia de produção
em pequena escala na região, estimulando a policultura em detrimento da
monocultura; a passagem do trabalhador rural à condição de pequeno produtor
agrícola no território dos assentamentos representa uma melhoria das condições
sócio-econômica no campo, tais como renda, moradia e qualidade de vida. A
transição da agricultura patronal para a agricultura familiar constitui uma tendência
regional, porém, se processa de forma e intensidade distintas em cada local. A
experiência dos agricultores de Ilhetas, atravessando os dois modelos de agricultura,
permite analisar essa transição, reforçando a ideia de espaço contínuo, ativo,
reprodutor e dinâmico. Mudanças e permanências são elementos presentes nesse
processo, vindo à agricultura familiar oferecer melhorias de vida para os agricultores
se comparadas à agricultura patronal. Porém, a coexistência entre os dois modelos
torna o espaço rural híbrido.
Palavras-chave: Agricultura