Brasil
| Dissertation
Autolesão na adolescência e as redes sociais virtuais
Self-injury in adolescence and virtual social networks
Registro en:
GONÇALVES, Aline Ferreira. Autolesão na adolescência e as redes sociais virtuais. 2020. 121 f. Dissertação (Mestrado em Saúde Pública) - Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, 2020.
Autor
Gonçalves, Aline Ferreira
Resumen
A autolesão compreende um ato deliberado e intencional de lesionar o tecido corporal de seu próprio corpo, que se expressa de diversas maneiras, para além do cutting (os cortes), o mais conhecido. É um tema complexo do ponto de vista semântico e teóricoconceitual, que tem cada vez mais chamado a atenção, não só pela gravidade e quantidade de casos que tem chegado a serviços de saúde, mas pela proliferação do tema em páginas da internet. O objetivo desta pesquisa é compreender os sentidos e significados atribuídos por adolescentes à autolesão e sua exposição e interação nas redes sociais virtuais. Baseiase em um estudo qualitativo, a partir da análise de 17 entrevistas realizadas com adolescentes e responsáveis de Porto Alegre (RS) e Dourados (MS),que explicitamente mencionaram a prática da autolesão e o acesso a conteúdo sobre cortes e tentativa de suicídio nas redes sociais virtuais. A análise de conteúdo de Laurence Bardin foi a técnica utilizada. A maior parte dos casos analisados eram meninas com idades entre 12 e 17 anos. Metade dos adolescentes se feriu pela primeira vez aos 12 anos, com relatos também de início em idades mais tenras. O ato de se cortar foi o mais recorrente. Ansiedade, tristeza e raiva precediam o ato de se ferir, e o alívio era a sensação alcançada. Seis adolescentes relataram a autolesão concomitante ao comportamento suicida. O isolamento social, a perda de amizades e a ausência de uma rede de apoio foram recorrentes, além de relações conflituosas no núcleo central familiar e a perda de vínculos (especialmente no ambiente escolar) devido a experiência de bullying e cyberbullying cometido por colegas de turma. O acesso e o compartilhamento de conteúdos e as interações em grupo on-line sobre autolesão e comportamento suicida desempenhou uma dupla função aos adolescentes entrevistados: tanto possibilitou a construção de vínculos, o compartilhamento de experiências e a oferta de apoio quanto serviu de modelo e normalizou comportamentos autolesivos. Abstarct: Self-injury comprises a deliberate and intentional act of damaging the body tissue of your own body, which expresses in various ways other than cutting, the best known.It is a complex subject from a semantic and theoretical-conceptual point of view, which has increasingly attracted attention, not only because of the severity and number of cases that have reached health services, but also because of the proliferation of the theme on websites. The aim of this research is to understand the meanings attributed by adolescents to self-injury and its exposure and interaction in virtual social networks. It is based on a qualitative study, based on the analysis of seventeen interviews conducted with adolescents and guardians from Porto Alegre (RS) and Dourados (MS), who explicitly mentioned the practice of self-injury and access to content about cutting and suicide attempts in virtual social networks. Laurence Bardin Content Analysis was the technique used. Most of the cases analyzed were girls aged 12 to 17 years. Half of the teenagers were injured for the first time at age 12, with reports also of younger age. The act of cutting was the most recurring. Anxiety, sadness, and anger preceded the act of injury, and relief was the sensation achieved. Six adolescents reported concomitant self-injury with suicidal behavior. Social isolation, loss of friendships, and the absence of a support network were recurrent, as well as conflicting relationships in the family context and the loss of ties (especially in the school environment) due to the experience of bullying and cyberbullying committed by classmates. Accessing and sharing content and on-line group interactions about self-injury and suicidal behavior played a dual role for the interviewed adolescents: it made it possible to build bonds, share experiences, and provide support, as well as to model and normalize self-injurious behaviors.